paixão, sonho e um pequeno protesto chocolateiro

Atualizado: 17 de Ago de 2019

Que eu estou apaixonada pela minha tese eu acho que todos já perceberam. O conteúdo monotemático desta página me denuncia. Mas é que o cacau é cultura, é beleza, é trabalho, é gosto de terra, é terroir, é luta de classes, é história do Brasil, é representatividade de um povo, é corrupção, é política, é educação, é mata atlântica, é ciência, é natureza (a nossa natureza), são vários problemas sociais, é Brasil, é o que torna o chocolate possível, é turismo, é risco de extinção. É sobre importarmos o pior cacau do mundo - um cacau que traz consigo o peso de forças de trabalho escravo e infantil - e exportarmos as melhores amêndoas para países que acreditamos que tem mais tradição em chocolate do que nós, mas que muitas vezes não tem em seu solo um só pé de cacau.


E isso acontece conosco desde quando os índios ofereciam nossas frutas em troca de espelhos e bugigangas portuguesas. É isso mesmo que queremos? Portanto, meus queridos, o cacau nos faz refletir. Nos faz olhar pra frente e almejar, por meio da informação, que os brasileiros comam mais chocolate decente, chocolate de qualidade e de origem brasileira. Porque é aqui mesmo na nossa terra que o melhor cacau - ainda que cheio de lutas a lutar - está!!!

E eu sigo me apaixonando. <3


P.S.: Texto originalmente publicado em 31 de janeiro de 2017 em minha página pessoal no Facebook. À época encontrava-me imersa no período de coleta de dados de minha tese de doutorado (concluído em 2018) - que pesquisou sobre o turismo em fazendas de cacau do Sul da Bahia.




©2019 by Cacau e Cultura. Proudly created with Wix.com